Irrigação em Nogueira-pecã: segurança para o produtor e garantia da qualidade da noz-pecã

Vários são os motivos que influenciaram produtores a iniciar o cultivo da nogueira-pecã (Carya illinoinensis) no Brasil. Dentre eles, pode-se destacar, a demanda crescente do mercado pelos frutos, tanto interno como externo, o bom retorno financeiro, associado à exploração da cultura por um longo período. O cultivo da noz-pecã enquadra-se satisfatoriamente à diversificação das atividades dentro da propriedade rural, permitindo o consórcio junto com culturas anuais e produção animal.

Esses e outros fatores impulsionaram nos últimos anos a expansão da área com nogueira-pecã no Rio Grande do Sul (RS), passando de 930 hectares (ha) em 2004, para 6.500 ha de área plantada em 2019, um salto de quase 600% em 15 anos. Esses pomares são cultivados, aproximadamente, por 1.300 pecanicultores. Dessa, cerca de metade (3.000 ha) já está em produção. Atualmente, o RS possui a maior área plantada de Noz-pecã do País, chegando a 70% da área nacional que é de 9.500 ha (Figura 1) (SEAPA RS, 2020).

Figura 1. Cultivo da Nogueira-pecã na região Sudeste e Sul do Brasil, com destaque para o Rio Grande do Sul (RS). Municípios do RS que cultivam comercialmente pomares de Nogueira-pecã. Fonte: Adaptado de Embrapa 2018.

O sucesso na atividade da pecanicultura depende de vários fatores, como conhecimento da atividade, planejamento de mercado, e principalmente, conhecimento sobre os aspectos técnicos da cultura. Dentre esses, condições climáticas, características do solo, práticas culturais, podem afetar significativamente o desenvolvimento das plantas e a produção dos frutos.

As plantas de nogueira-pecã podem sofrer dificuldades para absorver água e nutrientes do solo, devido ao tipo de sistema radicular. Além disso, necessitam no mínimo, 800 mm anuais de água. Essa disponibilidade hídrica em um pomar está relacionada com a quantidade e a capacidade em que um solo é capaz de armazenar água. Dependendo das condições de solo, da região, da época do ano, do estádio fenológico da planta, as plantas podem sofrer déficit hídrico poucos dias após uma chuva, dificultando o suprimento ideal de água para suas estruturas de acordo com a demanda.

Em regiões que ocorrem períodos de estiagem, como por exemplo durante a primavera-verão no RS, é recomendado o fornecimento artificial de água às plantas. Quando ocorre falta de água em fases críticas no ciclo das plantas, as consequências podem ser irreversíveis. Se ocorrer falta de água no solo, pode atrasar o desenvolvimento das nogueiras e até causar a morte das mudas após o plantio no campo. Para as nogueiras-pecã em produção, pode ocasionar redução na produção, a queda das nozes, frutos menores e mal preenchidos, além da baixa formação de reservas para a próxima safra.

Assim, a irrigação é uma alternativa artificial de fornecer água ao pomar. Podem ser utilizadas várias formas de irrigação, por gotejamento, microaspersão ou aspersão subcopa. Junto a água da irrigação pode ser adicionado nutrientes, conhecido como fertirrigação, que consiste em uma técnica de adubação que utiliza a água da irrigação para levar os nutrientes até as plantas.

No entanto, apesar de parecer fácil irrigar uma planta, pode ser mais difícil do que se imagina, pois é necessário calcular a quantidade de água que as plantas efetivamente demandam, e quando essa deve ser aplicada. Uma forma de determinar isso, independentemente do tamanho do pomar, é através de sensores que mensuram a umidade do solo e consequentemente fornecem informações para a realização dessa prática (Figura 2). Existem sensores movidos à energia solar, não necessitando de energia elétrica no pomar.

Figura 2. Sensor HidRaks 900 para monitoramento da umidade do solo utilizando o princípio TDR (Time-Domain Reflectometry) em pomar de Nogueira-pecã no município de Encruzilhada do Sul-RS

No momento de irrigar, fatores como estádio fenológico da cultura, características do solo e condições climáticas, podem influenciar no volume de água e período de molhamento. Portanto, sistemas de irrigação aliados à utilização de sensores que monitoram a umidade do solo, são ferramentas de manejo importantíssimas que podem impactar nos fatores de produção de quem busca noz-pecã com qualidade. Pois, os sensores de umidade do solo auxiliam na tomada de decisão no manejo da irrigação, definitiva para maximizar o potencial de produção da cultura.

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Autor: Dionata Filippi – dionata@raks.com.br. Técnico em Agropecuária, estudante de Agronomia na UFRGS

Literatura citada

MARTINS, C. R. et al. Situação e perspectiva da Nogueira-pecã no Brasil. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2018. 33p. (Embrapa Clima Temperado. Documentos, 462).

SEAPA. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. Câmara Setorial da Noz-pecã. Nota técnica 2020 – Noz-pecã no RS.
Disponível em: http://www.seapa.rs.gov.br/pro-peca.

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